quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Imprevisibilidade do treino: o coletivo.




É fato que preferência pelo treinamento e filosofia de trabalho são contextos não-discutíveis. Entretanto, são também muito concretas e fortes, indagações quanto a criação de situações que estimulem tomadas de decisão nos treinos.
Jogos de sustentação tática ofensivas e defensivas, trabalhos em metade ou 1\4 de quadra, jogos de manutenção de posse-de-bola livre conduzidas em um padrão, acertos de finalização, condução de marcações passivas e\ou ativas e etc. Mas e o famoso coletivo?
Certo ou errado? Melhor ou pior? É discutivel?
Aqui seguem algumas abordagens desse tema:

- nas categorias de base: O jogo coletivo é muito comum de ser visto na iniciação ou nas categorias de base de alto-rendimento. A criança tende a se adaptar melhor a qualquer situação proposta, em um ambiente que lhe agrade. Em estudos e observações pessoais, vejo que nem sempre os melhores jogos aplicados às categorias maiores, conduzem bem o treinamento nas categorias menores, pelo menos até um sub13, ou mesmo um sub15. Não apenas pelo gosto na prática do coletivo, mas pela insuficiência cognitiva dos jovens atletas. Uma melhor formação do atleta, uma melhor educação físico-psicológica do indivíduo, auxiliaria muito nesse aspecto, mas falar disso no Brasil é uma grande piada. O treino tecnicista tem alguma porcentagem de colaboração na melhora do gesto motor mas, colocá-lo de variadas maneiras em um treinamento dinâmico e situacional, tornaria a atividade mais confortável, prazerosa e eficiente quanto ao aprendizado.

- nas categorias maiores: Considero outra grande piada, a utilização do jogo coletivo como forma de sustentação de padrão tático ofensivo ou defensivo, como aplicação útil de bolas paradas, ou como qualquer outra pretensão em deixar sua equipe forte em algum elemento do jogo. A enorme quantidade de situações imprevisíveis da quadra, dos jogadores, dos climas diferentes, da mudança de concentração, impossibilitam invariavelmente a retirada de algo realmente produtivo no jogo coletivo nas categorias maiores. Não sei se é excessivamente crítico, mas acho de fato que quanto mais velho, mais absurdo a utilização do coletivo.

- o coletivo adaptado: Eis então uma forma agradável, útil, de fácil assimilação dos atletas e fácil adaptação da comissão técnica. O coletivo adaptado consiste em prevenir a equipe da imprevisibilidade dos movimentos e do jogo, e climatizar e acostumar o time para alguma situação da partida. É mais leve, criativo, estimula discussões mais fechadas, acostuma o time para apoios constantes, dobras de marcação, criação de linhas-de-passe, deslizamentos, coberturas, e qualquer outra situação presente no jogo. Deve ser bem orientado e ser impostas alguma regras, como por exemplo: limitar o número de toques na bola, fazer com que hajam apenas saídas nas linhas-de-fundo, dessa forma estimulando contra-ataques constantes, e etc.

Acho que podemos concluir que o jogo coletivo quando bem comandado, organizado e designado para o aprendizado de alguma valência nas categorias menores, pode ter boa utilidade, com evolução gradativa das manobras ofensivas e defensivas em geral.
Nas categorias maiores, o velho ´´coleta´´, deve ficar guardado na memória de todos, e ser constantemente homenageado nos tradicionais ´´raxões´´. Simples assim.

Um grande abraço á todos!




Um comentário:

  1. Parabéns Cyro pelo blog, continue assim!

    Vou acompanhar!

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